Na Quarentena AutoEsporte, a equipe testou o veículo em diferentes condições de uso.
Hairton Ponciano Voz, editor de Autoesporte
Quando vi as primeiras fotos do Cobalt, confesso que não fiquei muito empolgado. Basicamente, achei o estilo pouco inspirado – para dizer o mínimo. Mas não é que o carro me surpreendeu? Sobre o visual, continuo com minhas ressalvas.

Este Chevrolet é um carro pragmático: a função levou a melhor sobre a forma. O objetivo era oferecer espaço para pessoas e carga, para concorrer com o Renault Logan. Ele conseguiu o feito. E – justiça seja feita –, ao menos no quesito visual, o Cobalt dá uma surra no Logan. Merecida, aliás.
Achei que as qualidades do sedã terminavam aí, mas andando o sedã revelou outras. Para começo de conversa, o carro tem bom isolamento acústico. É boa a sensação de ver a velocidade subir sem o consequente aumento do som.
Internamente, o revestimento usa plástico rígido. Deixa claro que o projeto previa um carro simples, para ser barato e vender bem. Tudo isso foi conseguido. Custando a partir de R$ 39.980, o modelo já aparece na lista dos dez mais vendidos em janeiro.
Voltando ao tema estilo, por dentro ele é bem melhor do que por fora. Lembra o que eu disse sobre ter ao menos um detalhe legal? Pois ele está no quadro de instrumentos. Ele é pequeno, mas bem resolvido. O conta-giros analógico forma um belo par com o velocímetro digital. O marcador de combustível “fecha” o círculo formado pelo conta-giros. Ficou interessante.

O câmbio tem bons engates, e me lembra bastante o do meu velho Astra 2002, em engates e curso de alavanca. Foi uma boa recordação. Claro que ele não anda tanto quanto o veterano Astra 2.0, mas, para um 1.4 (102 cv com etanol), o Cobalt até que vai bem. A suspensão também agrada, tanto em silêncio como em conforto e estabilidade. Os pneus 195/65 R15 são largos o suficiente para proporcionar uma boa área de contato com o solo (bom para estabilidade e segurança nas frenagens).
Tem, porém, um aspecto que deve ser revisto pela Chevrolet: embora as respostas sejam boas, nas saídas o Cobalt sofre um pouco, principalmente em rampas. Nessa situação, é preciso elevar a rotação do motor. Por conta disso, em situações extremas (partida em rampa, carro cheio e ar-condicionado ligado), é preciso até “queimar” um pouco de embreagem. O resultado é que a vida do conjunto platô-disco pode sofrer desgaste prematuro. Talvez uma relação mais curta da 1ª marcha pudesse amenizar o sintoma. Vamos ficar de olho nisso.
Fonte: AutoEsporte